Cabisbaixíssima resignação
CRÓNICAS DO NORDESTE é uma rubrica que se pretende fundamentalmente subjectiva. Um espaço simples que tem sempre por base a região, a sua história, a sua cultura e as suas gentes. Um espaço franco onde os sentires sem barreiras e os estados de alma pura podem ser vertidos a qualquer momento.O responsável por esta rubrica escreve esporadicamente.
Publicado sexta-feira, outubro 14, 2011 | Por: António Luís Pereira
Hoje é sexta-feira, 14 de Outubro de 2011. O Outono assola-nos em mais um dia de cálida temperatura. Há 70 anos, dizem os jornais, que os termómetros não subiam tão alto nesta estação do ano. Também este ano o Outono - essa variegada imensidão de cores letais - nos resolveu tramar.
Como se não bastasse o Outono, temos também os políticos - essa variegada trupe de parda e camuflada cor - que nos empobrecem com as suas incompetências, tão dramaticamente prejudiciais para nós, como imoralmente proveitosas para eles.
Se entre os políticos e o Outono houvesse algum elemento em comum, esse elemento estaria, com toda a certeza, na forma como o Outono e os políticos tramam os portugueses. O Outono porque nos enganou este ano; os políticos porque nos têm enganado nos últimos trinta.
Ao Outono desculpo-o, porque foi só a segunda vez que resolveu tramar os nossos agricultores, e para repetir esta sua gracinha teve, pelo menos, a consciência , a decência e a moralidade de esperar 70 anos; aos políticos (quer dizer, a um significativo número de políticos) não desculpo, pura e simplesmente porque não lhes reconheço nem consciência, nem competência, nem conhecimento, nem responsabilidade, nem decência, nem moralidade.
Não é brincadeira ou gratuita maledicência o que digo ou rabisco nesta meia dúzia de parágrafos. São os títulos dos jornais deste dia 14 de Outubro de 2011 que o escrevem.
Os políticos tramam os portugueses da forma mais vil e descarada, porque nos roubam despudoradamente o sustento da família. É isso que vem escrito, mas por outras palavras, na imprensa de hoje. É isso que vem bem escarrapachado nos títulos garrafais dos diários que estão expostos nos escaparates.
Neste dia 14 de Outubro de 2011, em nome de uma dívida que a irresponsabilidade, a incompetência, o laxismo, o oportunismo e o “pacovismo” dos sucessivos governos que geriram este país desde o 25 de Abril de 1974 contraiu, está escrito nos jornais diários de hoje, em título garrafal e em “bold”, a notícia de um dos mais graves retrocessos civilizacionais que o mundo do trabalho sofreu depois das conquistas iniciadas pelos movimentos sindicais a partir do último quartel do séc. XIX.
E isto está-se a passar em Portugal, apenas em Portugal, somente no meu país!
E neste tórrido dia de Outono de 2011, sinto-me sufocado, quase não me entendo, e quase não entendo como tudo continua normal, pacato, cinzento, triste e adiado.
Mas sobretudo o que não entendo, o que não consigo entender, é esta resignação, esta cabisbaixíssima resignação do meu povo em suportar o insuportável, quando o futuro, o nosso futuro, é tão simples de definir, de escolher, de enveredar... como simples é o acto de colher uma flor.
Como se não bastasse o Outono, temos também os políticos - essa variegada trupe de parda e camuflada cor - que nos empobrecem com as suas incompetências, tão dramaticamente prejudiciais para nós, como imoralmente proveitosas para eles.
Se entre os políticos e o Outono houvesse algum elemento em comum, esse elemento estaria, com toda a certeza, na forma como o Outono e os políticos tramam os portugueses. O Outono porque nos enganou este ano; os políticos porque nos têm enganado nos últimos trinta.
Ao Outono desculpo-o, porque foi só a segunda vez que resolveu tramar os nossos agricultores, e para repetir esta sua gracinha teve, pelo menos, a consciência , a decência e a moralidade de esperar 70 anos; aos políticos (quer dizer, a um significativo número de políticos) não desculpo, pura e simplesmente porque não lhes reconheço nem consciência, nem competência, nem conhecimento, nem responsabilidade, nem decência, nem moralidade.
Não é brincadeira ou gratuita maledicência o que digo ou rabisco nesta meia dúzia de parágrafos. São os títulos dos jornais deste dia 14 de Outubro de 2011 que o escrevem.
Os políticos tramam os portugueses da forma mais vil e descarada, porque nos roubam despudoradamente o sustento da família. É isso que vem escrito, mas por outras palavras, na imprensa de hoje. É isso que vem bem escarrapachado nos títulos garrafais dos diários que estão expostos nos escaparates.
Neste dia 14 de Outubro de 2011, em nome de uma dívida que a irresponsabilidade, a incompetência, o laxismo, o oportunismo e o “pacovismo” dos sucessivos governos que geriram este país desde o 25 de Abril de 1974 contraiu, está escrito nos jornais diários de hoje, em título garrafal e em “bold”, a notícia de um dos mais graves retrocessos civilizacionais que o mundo do trabalho sofreu depois das conquistas iniciadas pelos movimentos sindicais a partir do último quartel do séc. XIX.
E isto está-se a passar em Portugal, apenas em Portugal, somente no meu país!
E neste tórrido dia de Outono de 2011, sinto-me sufocado, quase não me entendo, e quase não entendo como tudo continua normal, pacato, cinzento, triste e adiado.
Mas sobretudo o que não entendo, o que não consigo entender, é esta resignação, esta cabisbaixíssima resignação do meu povo em suportar o insuportável, quando o futuro, o nosso futuro, é tão simples de definir, de escolher, de enveredar... como simples é o acto de colher uma flor.

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